As mulheres recebem 21,2% menos que homens no Brasil. Em cargos mais elevados, como de dirigentes e gerentes, a diferença chega a 27,1%. Os dados são do 4º Relatório de Transparência Salarial, divulgado na última semana, em Brasília, pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres.
O relatório foi produzido com base em informações de 54.041 empresas, com 100 ou mais empregados, registradas pelos próprios estabelecimentos na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) – totalizando a análise de 19.423.144 vínculos trabalhistas, sendo 30% de mulheres e 70% de homens.
Em termos de valores médios, nos cerca de 54 mil estabelecimentos estudados, a remuneração média das mulheres foi de R$ 3.908,76, contra R$ 4.958,43 dos homens – uma diferença de R$ 1.049,67 (21,2%) a menos que os colegas do sexo masculino.
Em termos de raça, a diferença de remuneração registrada foi ainda maior: trabalhadoras negras recebem cerca de 53,4% menos que homens não negros.
CONQUISTA PARA IGUALDADE DE GÊNERO
O Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios foi estabelecido em 2023, por meio da Lei de Igualdade Salarial (nº 14.611), de autoria do governo federal. A medida obriga que empresas com 100 ou mais empregados divulgue, semestralmente, informações sobre salários e distribuição de cargos, segmentados por gênero e raça.
A normativa estabelece ainda que as empresas apresentem planos de ações quando forem identificadas diferenças salariais não justificadas. “A Lei de Igualdade Salarial e o Relatório de Transparência são avanços na luta contra a desigualdade de gênero, porque, ao tornar visível os problemas que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, impõe às empresas a criação de mecanismos de combate à discriminação salarial, por raça e gênero”, destaca a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.
Segundo o MTE, em 2025, as equipes de fiscalização realizaram 787 ações de combate à desigualdade salarial, atingindo cerca de um milhão de trabalhadores. Dessas ações, 319 foram concluídas e 468 seguem em andamento, resultando na emissão de 154 autos de infração.
NA CATEGORIA BANCÁRIA
Segundo levantamento feito pelo Dieese, com base na RAIS, em 2024 as mulheres recebiam salário 18,6% menor que os dos homens, na categoria bancária.
Naquele mesmo ano, as mulheres pretas bancárias recebiam em média 37,7% menos que a remuneração média de homens não negros.
Já nos cargos de liderança, a remuneração média das mulheres bancárias era 25% inferior à remuneração dos colegas bancários.
Em se tratando dos dados que chegam ao Relatório de Transparência Salarial, a economista Vivian Machado explica que, como a lei obriga que somente empresas com 100 ou mais funcionários respondam ao questionário e, ainda, por CNPJ, são poucos os estabelecimentos bancários registrados no levantamento.
“Ainda não tivemos acesso completo ao 4º relatório, que ainda será divulgado pelos órgãos oficiais. Mas, no 3º relatório, do total de 18.777 estabelecimentos bancários que existiam no país, apenas 277 (1,2%) possuíam mais de 100 trabalhadores”, destacou.
Fonte: Contraf-CUT

