Foi realizada nesta segunda (24), a nona mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação dos bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. Mais uma vez, os banqueiros enrolaram e não apresentaram uma proposta com índice de reajuste para salários e demais verbas.
Em nenhuma das campanhas nacionais anteriores, a Fenaban postergou tanto a apresentação de uma proposta concreta para a categoria. Em 2018, a proposta foi apresentada em 7 de agosto; em 2020, em 18 de agosto; em 2022, em 19 de agosto; e, em 2024, em 21 de agosto.
“Os banqueiros, mais uma vez, optaram por desrespeitar a categoria e não apresentaram proposta de índice de reajuste. Ao invés disso, enrolaram e atacaram nossa legítima paralisação, aprovada em assembleias por todo o Brasil, que foi extremamente bem sucedida; atacaram a nossa organização sindical, os sindicatos, com o intuito de reduzir direitos; e, mais uma vez, ameaçaram a mesa única de negociação. Além disso, como já fizeram em outras negociações, sugeriram levar o desfecho da Campanha Nacional dos Bancários ao Supremo Tribunal do Trabalho”, diz Neiva Ribeiro, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
“Estamos unidos e mobilizados, bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, por aumento real, reajuste maior no VA e VR, valorização da PLR e do piso da categoria. Não aceitaremos ataques à mesa única, uma das nossas conquistas históricas, e à nossa organização. Não seremos pautados por ameaças e pela intransigência dos banqueiros. Exigimos uma proposta decente já”, acrescentou a dirigente sindical.
Em relação às cláusulas econômicas, entre outros pontos, os bancários reivindicam 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.
PARALISAÇÃO
A negociação teve início com os banqueiros criticando e tentando descredibilizar a paralisação nacional realizada na última quinta-feira, 20 de agosto, que foi aprovada em assembleias no dia 17 de agosto por mais de 50 mil trabalhadores de todo o país, de bancos públicos e privados, que também rejeitaram proposta da Fenaban de um novo modelo de reajuste por faixas salariais, que valeria também para VA e VR.
Os banqueiros ainda alegaram, na negociação desta terça 24, que nunca foi feita uma paralisação durante as negociações, o que não corresponde à verdade, uma vez que a categoria tem como prática histórica realizar paralisações parciais ou de dia todo para defender seus direitos.
O Comando Nacional dos Bancários rebateu os banqueiros afirmando que a paralisação foi legítima e envolveu milhares de trabalhadores, de bancos públicos e privados, ganhou apoio da sociedade – afetada pelas altas taxas de juros, fechamento de agências e redução do número de bancários – e teve grande repercussão na imprensa.
NEGOCIAÇÃO GERAL PRECISA AVANÇAR
O Comando Nacional também apontou que as negociações específicas por banco (como Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, BNB) estão sendo prejudicadas pela demora da Fenaban em apresentar propostas às questões econômicas e gerais na mesa única.
“A mesa geral precisa andar para que as mesas específicas também possam avançar mais. Não podemos permitir que tudo fique paralisado. Os trabalhadores têm reivindicações econômicas e específicas importantes, e a Campanha Nacional precisa avançar em todas essas frentes. O caminho é a negociação, com propostas concretas e com disposição dos bancos para valorizar os trabalhadores”, concluiu Juvandia.
As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban serão retomadas nesta terça (25). “A categoria se manterá mobilizada nas redes e nas ruas, e o Comando Nacional segue à disposição das negociações durante toda a semana”, pontuou Juvandia Moreira.
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo e Contraf-CUT

