A categoria bancária realizou, nesta terça (11), em todo o Brasil, um Dia Nacional de Luta contra a extinção de empregos e o fechamento de agências pelo Bradesco. Em Uberaba, o Sindicato visitou a agência Centro, da Avenida Leopoldino de Oliveira e conversou com os trabalhadores e trabalhadoras do banco e com os clientes.
A motivação do protesto é a insistência do banco em demitir e fechar agências, mesmo durante as negociações da campanha salarial. No ato, o presidente do Sindicato dos Bancários de Uberaba e região, Diego Bunazar, denunciou que em menos de dois meses, o Bradesco fechou agências na região em Sacramento, Conceição e Ibiá.
“Isso é fruto de uma política de elitização do atendimento bancário, onde os bancos expulsam os clientes mais pobres e mais simples, enquanto investem em ampliação do atendimento bancário e agências bonitas para os ricos”, ressaltou o Diego Bunazar. Para ele, é necessário uma nova regulamentação para acabar com esta realidade.
RESULTADOS DO BANCO DEMONSTRAM CONDIÇÕES DE PRESERVAR EMPREGOS
O Bradesco foi escolhido para o dia de luta, por apresentar atualmente o maior crescimento de lucro entre os grandes bancos privados, enquanto já eliminou quase 2,5 mil postos de trabalho e fechou 324 agências.
Para o movimento sindical, os resultados apresentados pelo banco demonstram que existem condições econômicas para preservar empregos, melhorar as condições de trabalho e ampliar o atendimento aos clientes, em vez de reduzir a estrutura e aumentar a pressão sobre os trabalhadores que permanecem.
“Esse ato de hoje não é descolado da nossa campanha. Ele faz parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Estamos em luta e esperamos que a mesa desta quinta traga uma boa proposta. Os bancos têm condições de nos dar aumento real, melhorar de maneira significativa o VA e o VR, avançar na PLR e cuidar das questões de saúde e do adoecimento da categoria”, afirma Erica de Oliveira, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco.
Segundo Erica, o Bradesco está diretamente inserido nesse cenário, especialmente diante dos resultados financeiros positivos apresentados pelo banco. “O Bradesco já apresentou um resultado muito satisfatório e, portanto, os bancos têm totais condições de atender às nossas reivindicações. Não faz sentido continuar demitindo e fechando agências justamente durante a campanha”, destaca.
LUCRO CRESCE, MAS EMPREGO E SAÚDE SEGUEM AMEAÇADOS
A mobilização também chama atenção para os impactos das políticas de redução de postos de trabalho sobre a rotina dos funcionários. Com menos trabalhadores e unidades, aumenta a pressão sobre aqueles que permanecem no banco, em uma categoria que enfrenta índices elevados de adoecimento e sobrecarga de trabalho.
“Estamos falando de uma categoria que está bastante adoecida. Não dá para discutir resultado financeiro sem discutir as condições em que esse resultado é produzido. Os bancos têm condições de atender nossas reivindicações, preservar empregos e melhorar as condições de trabalho”, afirma a coordenadora da COE Bradesco.
O Dia Nacional de Luta reforça, assim, a agenda da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e a expectativa dos trabalhadores em relação às próximas rodadas de negociação. A mobilização nacional deixa claro que, além de reajuste e avanços econômicos, emprego, saúde, condições de trabalho e valorização dos bancários também estão no centro das reivindicações.
Fonte: Contraf-CUT

