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NOVA NEGOCIAÇÃO BUSCA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES NOS BANCOS

A terceira rodada de negociações da Campanha Nacional 2026 está marcada para essa quinta-feira, 16, em São Paulo. A categoria reivindicará da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) igualdade de oportunidades de acesso, ascensão e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCDs).

Apesar de frequentemente celebrada nas propagandas, os bancos estão longe de refletir a diversidade nas agências e escritórios. Segundo dados organizados pelo Dieese, desde 2020 até abril de 2026, dos 31,1 mil postos de trabalho fechados no setor, 80% são vagas que antes eram ocupadas por mulheres.

Os dados também evidenciam diferenças significativas de remuneração. As mulheres bancárias recebem, em média, 18,4% menos que os homens brancos que atuam na mesma função. A diferença é maior para mulheres negras bancárias, com remuneração média 34,2% inferior à dos colegas homens brancos.

Nos cargos de liderança, as desigualdades são mais aprofundadas: apenas 24% das pessoas negras (homens e mulheres) estão nos cargos de liderança dos bancos. E, apesar das mulheres ocuparem cerca de 46% dos cargos de liderança, a remuneração média feminina nessas funções é 25% inferior à dos homens que ocupam a mesma função.

“Temos alertado que a implementação das novas tecnologias, por parte dos bancos, está vindo acompanhada de um aprofundamento das desigualdades no setor, revertendo esforços da categoria, em mesas de negociação, por igualdade de oportunidade e ascensão para todos e todas”, destaca a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

“Se os bancos continuam mantendo uma estrutura de remuneração e ocupação de cargos que penalizam mulheres, negros, PCDs e pessoas LGBTQIA+, o que estamos assistindo não é modernização real e que de fato traz ganhos sociais e econômicos para os trabalhadores e para a sociedade, e sim retrocessos por trazer impactos negativos como concentração de renda, enfraquecimento de direitos sociais, trabalhistas e contribuição para as desigualdades que enfrentamos no país”, completa.

Entre as reivindicações relacionadas ao tema que a categoria irá levar para a mesa de negociações com a Fenaban estão:

 

PROMOÇÃO DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

  • Cotas e metas: admissão mínima de 30% de negros e negras e 1% de pessoas trans (elevando para 2% em quatro anos) nas novas contratações.
  • Programa de trainees: criação de um programa específico para trainees negros, correspondente a 0,5% do quadro funcional, com duração mínima de 6 meses.
  • Proteção contra a violência doméstica: garantia de teletrabalho, desde que solicitado expressamente pela trabalhadora vítima de violência doméstica, e manutenção do vínculo trabalhista por até 6 meses em casos de afastamento necessário.
  • Mulheres na tecnologia (TI): fortalecimento do programa de bolsas de qualificação integrais e reserva de vagas para bancárias na área de TI, combatendo a disparidade de gênero no setor tecnológico.
  • Ascensão profissional: aceleração da contratação de mulheres negras e estabelecimento de metas de gênero para todos os cursos e treinamentos.

 

COMBATE AO RACISMO, DISCRIMINAÇÕES E À LGBTFOBIA

  • Direito de interrupção: o bancário vítima de insulto discriminatório pode interromper o atendimento imediatamente sem ser punido por insubordinação.
  • Protocolo nacional contra o racismo: instituição de canais de denúncia sigilosos e fluxos obrigatórios de apuração com transparência e acolhimento qualificado.
  • Transparência: criação de comissões capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas.
  • Proteção à família: proibição de qualquer discriminação contra pais ou responsáveis por pessoas com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
  • Isonomia para famílias plurais: extensão de todos os benefícios e vantagens para parceiros em uniões homoafetivas e famílias plurais.

 

COMBATE AO ENDIVIDAMENTO NA CATEGORIA

O Comando Nacional também levará para esta mesa a reivindicação para que os trabalhadores bancários sejam isentos do pagamento de quaisquer tarifas bancárias e que as taxas de juros para operações com cheque especial, empréstimos e cartão de crédito fiquem limitadas em 0,5% ao mês para a categoria.

 

Fonte: Contraf-CUT

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