O Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 46,830 bilhões em 2025, com crescimento de 13,1% em relação a 2024 e de 3,7% na comparação trimestral, segundo análise do Dieese com base nas Demonstrações Financeiras do banco. A rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido médio (ROE) no Brasil atingiu 24,6%, com alta de 1,3 ponto percentual em doze meses.
Mesmo com esse desempenho robusto, o banco seguiu promovendo cortes na estrutura e no quadro de pessoal. Em 2025, a holding Itaú Unibanco encerrou o ano com 82.693 empregados no Brasil, após o fechamento de 3.535 postos de trabalho em doze meses, sendo 916 apenas no último trimestre. No mesmo período, o banco fechou 319 agências físicas, enquanto a base de clientes cresceu em 1,8 milhão, totalizando mais de 100 milhões de clientes ao final de dezembro.
Para a coordenadora da COE Itaú, Maria Izabel Menezes, os números evidenciam uma contradição entre o lucro elevado e a política de cortes adotada pelo banco. “O Itaú apresenta um lucro bilionário, amplia sua carteira de crédito e bate recordes de rentabilidade, mas continua fechando agências e eliminando milhares de postos de trabalho. É uma lógica que prioriza apenas o ganho financeiro, sem considerar o impacto sobre os trabalhadores e a qualidade do atendimento à população”, criticou Maria Izabel.
O Banco Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, com crescimento de 12,6% em relação a 2024, segundo levantamento do Dieese. No 4º trimestre de 2025, o lucro atingiu R$ 4,086 bilhões, o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos, de acordo com o próprio relatório da instituição.
Apesar dos resultados expressivos, o banco seguiu ampliando a redução de sua estrutura operacional. Em doze meses, a holding Santander encerrou 2025 com 49.661 empregados, após o fechamento de 5.985 postos de trabalho, sendo 2.086 cortes apenas no último trimestre. Além disso, 1,6 mil trabalhadores foram transferidos para a SSD, empresa do grupo, como parte da estratégia de reorganização interna.
A rede física também foi impactada: em um ano, o banco fechou 579 pontos de atendimento, incluindo lojas e PABs. Segundo dados do Banco Central, o número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 em dezembro de 2025, uma redução de 735 unidades.
Para a coordenadora da COE Santander, Wanessa de Queiroz, os números escancaram a contradição entre os lucros bilionários e o impacto social da política de cortes. “O Santander segue batendo recordes de lucro, mas continua fechando agências, eliminando postos de trabalho e sobrecarregando os funcionários que permanecem. É inaceitável que um banco que lucra bilhões e amplia sua base de clientes insista em precarizar o atendimento e desvalorizar quem gera esses resultados”, criticou.
Wanessa de Queiroz ressalta ainda que os trabalhadores estão cada vez mais adoecidos com a sobrecarga de trabalho, uma vez que o aumento de clientes e a diminuição dos postos de trabalho aumentam a pressão sobre os empregados. “As mulheres são o grupo mais afetado, pois representam mais de 50% do quadro de funcionários. Então essa é uma preocupação grande para nós e temos cobrado melhorias nas condições de trabalho”, afirma Wanessa.
DADOS DO LUCRO DO ITAÚ
De acordo com o relatório do banco, o resultado foi impulsionado pelo crescimento da margem financeira com clientes (+12,1%), associado ao aumento do volume de crédito, maior margem de passivos e ganhos com capital próprio. As receitas com serviços e seguros também cresceram 6,3%, com destaque para cartões, administração de recursos e seguros, segmento que avançou 16,6% no período.
A carteira de crédito alcançou R$ 1,491 trilhão, com alta de 6,0% em doze meses e 6,3% no trimestre. No segmento de pessoa física, o crescimento foi de 6,6%, com destaque para crédito imobiliário (+12,8%), cartão de crédito (+8,0%), crédito pessoal (+2,2%) e o consignado privado (“novo consignado CLT”), que avançou 35,9%. Já no segmento de pessoa jurídica, a carteira de Grandes Empresas cresceu 5,2%, enquanto o crédito para micro, pequenas e médias empresas avançou 8,7%.
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 49,0 bilhões, queda de 0,4% em doze meses, enquanto as despesas de pessoal, incluindo a PLR, cresceram 8,4%, totalizando R$ 33,9 bilhões. Ainda assim, essas despesas foram cobertas em 144,3% pelas receitas com serviços e tarifas.
Outro destaque foi o índice de eficiência, que atingiu o menor nível da série histórica: caiu de 44,0% em 2021 para 38,8% em 2025, indicando que o banco gasta cada vez menos para gerar receitas — resultado frequentemente associado à digitalização e à redução de estrutura.
DADOS DO LUCRO DO SANTANDER
O retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado ficou em 17,6%, impulsionado, entre outros fatores, pelo avanço das comissões (+4,3%), com destaque para cartões, seguros e administração de recursos. No cenário global, o Santander registrou lucro recorde de € 14,101 bilhões, com crescimento de 12,1%, e o Brasil foi responsável pelo segundo maior resultado do grupo, somando € 2,168 bilhões, atrás apenas da Espanha.
A Carteira de Crédito Ampliada do Santander alcançou R$ 708,2 bilhões, com alta de 3,7% em doze meses. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 2 %, somando R$ 23,023 bilhões, enquanto as despesas de pessoal mais PLR totalizaram R$ 12,429 bilhões, cobertas em 185,2% pelas receitas secundárias do banco.
Fonte: Contraf-CUT

