Nem tão digital assim. Se tem uma coisa que a greve nacional dos bancários provou é que os clientes precisam dos trabalhadores tanto quanto os trabalhadores precisam dos seus empregos. A paralisação que já completou mais de 20 dias está incomodando muita gente e a culpa é dos bancos. Ou alguém acredita que Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Federal – que juntos lucraram R$ 29,7 bi somente nos seis primeiros meses deste ano – não tenham condição de pagar aumento salarial acima da inflação?
Mas, para aumentar ainda mais esse lucro, os bancos, após oito rodadas de negociação (iniciadas ainda em meados de agosto), insistem em tentar impor perdas aos bancários. Querem pagar reajuste rebaixado e se recusam a negociar proteção aos empregos. Somente entre janeiro e julho de 2016, quase 8 mil empregos bancários foram extintos. O resultado: sobrecarga de trabalho nas agências e departamentos; mais filas, queda na qualidade de atendimento.
“Sabemos que a greve muda a rotina e fazemos de tudo para que isso não seja tão difícil”, afirma a secretária-geral do Sindicato de São Paulo, Ivone Silva. “Não podemos aceitar que os bancos tentem se aproveitar da crise econômica para fazer os bancários perderem, seja por meio dos salários ou dos empregos. Não tem crise para banqueiro! Se os clientes ficarem do nosso lado, somaremos forças para pressionar a Fenaban (federação dos bancos) a acabar com a enrolação e apresentar proposta que os bancários possam aceitar e voltar ao trabalho.”
Cliente: 10 motivos para sacar a greve dos bancários
1 – Demissões prejudicam o atendimento aos clientes. Apenas no primeiro semestre, Itaú, Santander, Bradesco, Caixa e Banco do Brasil extinguiram 7.897 postos de trabalho. Desde 2012, já eliminaram mais de 23 mil empregos. Com mais bancários trabalhando, como reivindica a categoria, diminuirão as filas nas agências.
2 – Só com taxas e tarifas cobradas dos clientes, os bancos cobrem suas despesas com pessoal e ainda sobra muito. Itaú cobre 163,3%; Santander 152,3%; Bradesco 136,7%; Banco do Brasil 104,3%; e Caixa 104%.
3 – Os bancos faturaram R$ 29,7 bilhões só no 1º semestre. Segundo a consultoria Economatica, o setor é o mais lucrativo do país. Só que, ao invés de colaborar com a retomada do crescimento econômico, concedendo aumento real, demitem trabalhadores.
> Bancos dizem NÃO para os bancários!
4 – Mulheres recebem em média 22,1% menos que os homens nos bancos. Uma das reivindicações da categoria é igualdade de oportunidades para todos: mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência.
5 – Os bancários fazem de tudo para não prejudicar o atendimento. Durante a greve, o autoatendimento funciona normalmente e muitas unidades permanecem abertas.
6 – Em defesa dos direitos de todos os trabalhadores. Além das pautas específicas da categoria, os bancários defendem a manutenção dos direitos trabalhistas; do SUS; das empresas públicas como BB, Caixa, Petrobras; e são contra a reforma da Previdência, que quer impor a aposentadoria só a partir dos 65 anos.
7 – Segurança dos bancários e clientes. Uma das reivindicações da categoria é o reforço da segurança nas agências: portas giratórias, biombos nos caixas eletrônicos e o fim da guarda das chaves pelos trabalhadores, além da permanência de dois vigilantes por andar nas agências e postos de serviços bancários.
8 – Operações irregulares. Você vai contratar um empréstimo e, na hora de fechar, descobre que só será aprovado se adquirir um seguro. Essa prática, proibida pela legislação, é forçada pelos bancos na cobrança por metas. Nesse contexto, os bancários querem o fim da pressão e do assédio moral para o cumprimento de metas abusivas.
9 – Greve é um direito constitucional. A greve é um direito constitucional de todos os trabalhadores quando as negociações não avançam, como fizeram os bancos. E, para que o movimento não seja considerado abusivo, o Sindicato cumpriu todos os prazos e determinações da lei 7.783/89.
10 – Para a greve acabar, só depende dos banqueiros. Os bancos sabem que os trabalhadores não aceitarão perdas salariais. Para que a greve acabe, basta que façam proposta com garantia para os empregos, reajuste digno. O setor mais lucrativo do país pode e deve isso aos bancários e a toda sociedade.

