Representantes da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniram na manhã desta quarta (11), na sede do banco, em São Paulo, para tratar de diversos temas de interesse dos trabalhadores, entre eles, o reajuste do plano de saúde, o fechamento de agências, problemas relacionados ao programa de metas GERA e a renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV).
O acordo da CCV vence em abril e, durante a reunião, os representantes dos trabalhadores solicitaram que o banco retome a homologação das rescisões nos sindicatos. Também foi pedida a inclusão, entre os itens analisados pela CCV, da manutenção do plano de saúde para trabalhadores que possuem doenças graves e estejam em tratamento, bem como a preservação das condições da taxa de crédito imobiliário para empregados desligados, como se ainda estivessem na ativa.
PLANO DE SAÚDE
Outro ponto importante da reunião foi o reajuste do plano de saúde. O banco apresentou os novos índices de aumento, alegando crescimento da sinistralidade. Segundo o Itaú, o reajuste será de 9,8% para a Fundação Itaú e de 10,37% para os beneficiários da Unimed.
Os representantes dos trabalhadores contestaram os valores considerados abusivos, especialmente no caso dos aposentados, e criticaram a cobrança sem limite de coparticipação no plano dos trabalhadores da ativa. Também foi cobrada a correção do valor de reembolso, que segundo os dirigentes sindicais está defasado há anos.
A COE solicitou ainda que o banco apresente os números reais dos gastos com o plano de saúde, para que seja possível compreender os motivos do reajuste nas mensalidades, e reivindicou a realização de uma mesa específica para discutir o tema.
FECHAMENTO DE AGÊNCIAS
Durante o encontro, o banco também apresentou dados sobre o processo de fechamento de agências. Segundo o Itaú, 250 unidades foram encerradas em 2025 e outras 188 deverão ser fechadas até maio de 2026.
Os representantes dos trabalhadores criticaram a falta de critérios claros para esses fechamentos e alertaram para o impacto social da medida, principalmente em cidades que estão ficando sem atendimento bancário presencial. Segundo a COE, aposentados e pessoas com dificuldade de acesso aos meios digitais são os mais prejudicados.
Outro ponto levantado foi a situação dos trabalhadores das agências receptoras, que passam a lidar com aumento da demanda sem a estrutura adequada e com metas consideradas desproporcionais à nova realidade.
REESTRUTURAÇÃO
O banco afirmou que está passando por um processo de reestruturação e mudança no modelo de atendimento e que estudos estão sendo realizados para definir novos formatos de relacionamento com os clientes. Segundo o Itaú, os próprios clientes têm participado de pesquisas sobre o tipo de atendimento desejado e haverá a criação de um segmento específico voltado para aposentados. A instituição também informou que 75% dos trabalhadores impactados pelo fechamento de unidades foram realocados em 2025.
Para a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, o movimento sindical continuará acompanhando de perto as mudanças implementadas pelo banco. “Estamos discutindo temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores e dos clientes. O fechamento de agências precisa ter critérios claros e responsabilidade social, porque muitas cidades estão ficando sem atendimento presencial. Também cobramos mais transparência nos números do plano de saúde e soluções para os problemas enfrentados pelos bancários no dia a dia das agências”, afirmou.
PROGRAMA DE METAS
Outro tema abordado na reunião foi o programa de metas GERA. A COE apresentou uma série de questionamentos relacionados ao funcionamento do sistema, como penalizações indevidas em casos de reclamações consideradas improcedentes, dificuldades no acompanhamento das metas, falhas na ferramenta “Fale com o GERA” e cobranças consideradas desproporcionais nas agências.
Os representantes dos trabalhadores também apontaram problemas na remuneração variável, que está congelada há mais de dez anos, apesar do aumento das metas e da complexidade das funções. Além disso, foram relatadas inconsistências na pontuação das vendas, dificuldades operacionais no acompanhamento dos resultados e conflitos entre vendas realizadas nas agências e aquelas registradas pelo aplicativo.
A COE também apresentou questões relacionadas ao programa Smart Pró, incluindo problemas nos critérios de avaliação, atrasos na implantação das ferramentas necessárias para o acompanhamento das metas e dificuldades operacionais enfrentadas pelos bancários.
Segundo o banco, as demandas apresentadas serão analisadas e as respostas deverão ser apresentadas em uma próxima reunião, que ainda será agendada.
Fonte: Contraf-CUT

