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40º CONECEF DEFINE PLANO DE LUTAS E DEMANDAS DOS BANCÁRIOS DA CAIXA

O 40° Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), concluído no último dia 22, aprofundou os debates sobre os atuais desafios dos bancários da Caixa. E, no final, 273 delegados participantes definiram as principais bandeiras de luta da categoria.

As bandeiras aprovadas foram: Reajuste zero no Saúde Caixa e fim do teto de custeio; Defesa da Caixa 100% pública com reincorporação das áreas vendidas; Mais contratações; Fim de todas as formas de assédio; e combate ao adoecimento em função do trabalho.

“Debatemos importantes questões envolvendo o Saúde Caixa, a Funcef, condições de trabalho, assédio, as novas tecnologias e o bancário do futuro. Foi um Conecef muito proveitoso, com debates acalorados. Então a gente sai muito contente daqui”, relatou Felipe Pacheco, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

Confira sobre os debates ocorridos no encontro:

CAIXA EM DEBATE

Com o mote “Futuro justo, sustentável, inclusivo e democrático. Caixa 100% Pública!”, o 40º Conecef teve início na quinta (21), quando os participantes realizaram debates em grupos sobre o Saúde Caixa, Funcef, Saúde e Condições de Trabalho e sobre a Defesa da Caixa e de seus empregados. Esses tópicos foram retomados nesta sexta-feira, com o início das mesas temáticas.

O grupo sobre o Saúde Caixa aglutinou propostas de sindicatos e federações de todo o país, buscando unificar as prioridades. O elemento central foi a defesa e a melhora do Saúde Caixa, com o reajuste zero no plano, a derrubada do teto de gastos para custeio da saúde dos empregados, melhora da rede credenciada e da gestão de qualidade.

Já o grupo em defesa da Caixa 100% pública mostrou unidade nos debates. O sentimento dos participantes foi de reforçar a importância da Caixa integralmente pública. Os debates também apontaram um mote na defesa das unidades do banco, contra o fechamento de agências e contra a redução do papel social da Caixa.

SAÚDE

A primeira mesa temática desta sexta-feira debateu o Saúde Caixa e as condições de trabalho. O debate foi conduzido por André Guerra, doutor e mestre em Psicologia Social e Institucional; Leonardo Quadros, presidente da APCEF São Paulo e diretor de Saúde e Previdência da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal); e Hyolitta Adrielle Costa de Araújo, doutora em Economia e técnica na Rede Bancários do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

André Guerra apresentou dados da Investigação de Riscos Psicossociais na Caixa, uma pesquisa nacional promovida pela Fenae junto aos bancários da Caixa e lançada neste ano. O estudo mostra que 55% dos empregados se sentem pressionados a vender produtos que consideram desnecessário para os clientes, 41% afirmam que a ameaça de descomissionamento é permanente e 28% afirma não enxergar propósito em seu trabalho.

“Estabelecemos essa dinâmica e fluxo de adoecimento na Caixa: primeiro eu precarizo o trabalho através da ameaça de descomissionamento. Esse trabalho precarizado faz com que o meu trabalho seja hostil à sociedade ao invés de ser benéfico e com uma função social. E eu, ao não me reconhecer fazendo o que eu faço, deixo de ver sentido na minha atividade e adoeço”, analisou Guerra ao apresentar sua hipótese sobre o cenário adoecedor observado na Caixa.

A doutora em Economia e técnica do Dieese, Hyolitta Adrielle Costa de Araújo trouxe estatísticas relacionadas aos afastamentos na Caixa. Em sua apresentação, a especialista chamou a atenção para o crescimento do percentual de afastamentos motivados por questões mentais e comportamentais. Em 2012, esse grupo representava 39,4% dos afastamentos. Já em 2024, essa participação foi de 72,3%.

“Os transtornos mentais e comportamentais passaram a ocupar lugar de destaque entre as principais causas de afastamento, superando outras doenças tradicionalmente associadas ao trabalho, como doenças osteomusculares e fraturas. Os novos modelos de organização do trabalho, marcados por um aumento no individualismo, intensificação das atividades e cobrança de metas excessivas estão diretamente relacionados ao crescimento do adoecimento psíquico entre os trabalhadores”, afirmou Hyolitta ao concluir a exposição dos dados.

Concluindo as apresentações da mesa, Leandro Quadros, presidente da APCEF SP, trouxe seu relato e análise das negociações envolvendo o Saúde Caixa: “A Caixa trouxe a previsão de aumentar a mensalidade do titular dos atuais 3,5% para 5,5%, aumentar o valor do dependentes dos atuais R$ 480,00 para R$ 682,00 e aumentar o teto de mensalidade do grupo familiar dos atuais 7% para 12% da remuneração. E como se não fosse suficiente, ela prevê cobrar 17 mensalidades no ano que vem para fazer frente ao déficit deste ano, que deve variar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.”

“A linha que os nossos representantes têm adotado em mesa é defender o reajuste zero. A gente já contribuiu muito para o equilíbrio financeiro do plano. Chegou a hora da Caixa dar a sua contribuição”, enfatizou Quadros ao reforçar que as entidades representativas seguirão mobilizadas na defesa do Saúde Caixa.

IA E O FUTURO DA CAIXA

A inteligência artificial, os bancos digitais e o futuro da Caixa estiveram em pauta na segunda mesa do dia. Dois convidados estiveram à frente da mesa: Fabiana Uehara, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e Sávio Machado Cavalcante, professor livre-docente do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os impactos sociais da inteligência artificial, para além das questões tecnológicas, foram o foco da apresentação do professor Sávio Machado Cavalcante: “É importante construirmos redes maiores com categorias profissionais, sindicatos e movimentos sociais que estão discutindo esse tema. Não é possível imaginar a introdução dessa tecnologia sem discutirmos quais são os direitos das pessoas que devem ser garantidos, quais são os objetivos que devem ser perseguidos e como é possível regulamentar essas tecnologias. Não se trata só do futuro de uma categoria, trata-se do futuro da sociedade.”

Fabiana Uehara, representante dos empregados no CA da Caixa, enfatizou que a implementação da inteligência artificial no banco deve equilibrar eficiência digital com preocupação social: “A IA deve ser usada com responsabilidade, alinhada aos valores da Caixa: empoderamento, centralidade no cliente, coragem para inovar e cuidado com as pessoas e o planeta. Precisa equilibrar agilidade tecnológica com seu papel público. A IA deve servir à cidadania, inclusão e desenvolvimento humano, com foco em ética e acessibilidade.”

FUNCEF

Na reta final do Congresso, os delegados debateram a situação do Funcef, o fundo de pensão dos empregados da Caixa. A condução da mesa ficou por conta de Jair Pedro Ferreira, diretor de Benefícios da Funcef. Em sua apresentação, Jair mostrou que a Funcef vem apresentando resultados positivos. Entre 2018 e 2024, a rentabilidade acumulada do Novo Plano CD foi de 87,07%, maior do que o CDI (70,42%) e do que o Ibovespa (57,44%). Jair também ressaltou a importância da educação previdenciária para que as novas gerações reconheçam o valor da Funcef e mantenham o plano sempre equilibrado.

MOÇÕES

Também foram aprovadas quatro moções:

•    Em desagravo pela demissão do professor João Paulo Cabrera, da rede estadual do Rio de Janeiro;

•    Em solidariedade ao historiador Jorge Manuel, que recebeu ameaças de grupos neonazistas;

•    De apoio ao companheiro Flaviano Correia Cardoso, bancário da Caixa no Ceará, vítima de práticas reiteradas de assédio moral e organizacional e adoecimento ocupacional.

•    De desagravo à Caixa, contra o fechamento de unidades, diante do impacto social e econômica que a medida representa.

Fonte: Contraf-CUT e Sindicato dos Bancários de São Paulo

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