A maioria das assembleias dos 31 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos já aprovaram a proposta apresentada pela empresa estatal, que deve ser oficializada na quarta (27).
O novo acordo coletivo a ser assinado terá um aumento de 100% na quantidade de cláusulas, saindo de 37 para 78, resgatando antigas normativas retiradas no governo anterior. Entre elas, dezenas de cláusulas sociais.
Foram resgatadas pelo atual direção da empresa: >combate ao assédio moral e sexual; combate ao racismo; valorização e respeito às diversidades; >reembolso creche; licença maternidade de seis meses; >manutenção do ticket alimentação por até 90 dias, mesmo que o trabalhador esteja em licença médica pelo INSS; pagamento dos salários por 90 dias, enquanto aguarda perícia ou recurso do INSS.
Também foram implementados: >licença amamentação por um ano e seis meses; auxílio para filhos com deficiência; licença paternidade por 20 dias; >pagamentos de multas quando em serviço; >melhoria na frota de veículos; >subsídio aos empregados em caso de calamidade pública; >prioridade de transferência no caso de violência doméstica; entre outros.
Na questão econômica, a proposta aprovada garante, a partir de janeiro:
>abono de R$ 250 para quem recebe até R$ 7 mil, a ser incorporado em julho/2024, impactando de forma proporcional nas demais verbas compensatórias. Aos demais empregados que recebem acima de R$ 7 mil será aplicada a recomposição de 3,53% referente à inflação.
>Um abono salarial linear de R$ 1,5 mil, em janeiro, além de um vale alimentação extra, de R$ 1 mil, a ser pago uma única vez, em cinco dias úteis, após a assinatura do ACT.
De acordo com dados repassados pela empresa, o calendário para pagamento do vale extra de R$ 1 mil será após cinco dias da assinatura do ACT, o abono de R$ 1,5 mil em 02 de janeiro de 2024.
O novo acordo prevê ainda o aumento dos valores de repouso remunerado para 200%, adiantamento do salário nas férias e parcelamento em cinco vezes, e aumento dos valores de horas extras.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que analisou a minuta, o atual acordo reduz a desigualdade salarial ao conceder um reajuste maior para trabalhadores com menores salários.
Para o Comando de Negociação da Fentect, o acordo coletivo inaugura um novo momento nos Correios, de proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras, com a retirada da empresa da lista de privatização, abertura de diálogo com as representações sindicais, que estava fechado na empresa desde o último governo, além do resgate de projetos que buscam a reconstrução da empresa pública para os próximos anos.
A estatal ainda se comprometeu em desenvolver, o mais rápido possível, um plano de reposição do quadro de pessoal, melhorias no plano de saúde e estudos para a extinção da Distribuição Domiciliária Alternada (DDA), que atualmente prejudica a qualidade dos serviços com os atrasos nas correspondências.
Fonte: CUT

